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Um estudante de Direito, de 53 anos, foi preso pela Polícia Militar na noite de segunda-feira (31), em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, após se apresentar aos policiais como juiz de Direito e utilizar um documento com sinais de adulteração.
Segundo o registro da ocorrência, o homem foi identificado como Selmo dos Santos Pereira. Durante uma abordagem realizada na região do Jardim do Mar, os policiais pararam um veículo que trafegava em velocidade considerada incompatível com a via. Ao ser identificado, Pereira teria afirmado ser Jarbas Luiz dos Santos, juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André, e também disse ser professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.
A versão apresentada começou a ser questionada quando uma pessoa que passava pelo local reconheceu o homem e informou aos policiais que ele era, na realidade, estudante de Direito. Diante das informações contraditórias, os agentes encaminharam o suspeito ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo para averiguação.
Perícia confirmou identidade
Na delegacia, um exame datiloscópico, realizado por meio das impressões digitais, confirmou que o homem não era o magistrado cujo nome constava no documento apresentado.
Os policiais também localizaram o verdadeiro juiz, Jarbas Luiz dos Santos, que compareceu à delegacia e confirmou sua identidade. De acordo com o registro policial, o magistrado afirmou não conhecer Pereira e disse não ter autorizado o uso de seus dados. Ele também relatou que, anteriormente, houve uma tentativa de aquisição de um imóvel utilizando seu nome. As autoridades deverão apurar se existe alguma relação entre os episódios.
Histórico inclui processos por estelionato
Após a identificação, os sistemas policiais apontaram que Selmo dos Santos Pereira já era procurado pela Justiça. Segundo informações registradas na ocorrência e divulgadas pela imprensa, havia contra ele uma ordem de prisão relacionada a estelionato, além de um histórico de 78 processos e 34 inquéritos policiais. Desses inquéritos, 22 estariam relacionados ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.
A Folha de S.Paulo informou ainda que Pereira possuía condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena a cumprir em regime fechado. O mandado de prisão identificado durante a ocorrência tinha validade até setembro de 2032, segundo o UOL.
Já tentou disputar eleições
O caso também trouxe à tona o histórico político de Pereira. Ele foi candidato a prefeito de Juquitiba (SP) em 2012, quando recebeu pouco mais de 40 votos. Dois anos antes, tentou disputar uma vaga de deputado federal, mas sua candidatura foi barrada pela Justiça Eleitoral. Na época, segundo reportagens, ele estava preso por envolvimento em crime de estelionato.
Caso será investigado
A ocorrência foi registrada no 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo como uso de documento falso e outras providências relacionadas ao veículo. Pereira permaneceu detido e à disposição da Justiça.
O caso deverá ser analisado pela Justiça, inclusive quanto às circunstâncias do uso da identidade do magistrado. Até a publicação das reportagens consultadas, a defesa de Selmo dos Santos Pereira não havia apresentado manifestação pública sobre o episódio.
O episódio chama atenção não apenas pela tentativa de se passar por uma autoridade do Judiciário, mas também porque a identificação ocorreu durante uma abordagem de rotina, após divergências entre as informações apresentadas pelo suspeito, o documento utilizado e os dados encontrados pelos policiais.

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